quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

(...) Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. e tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.

Caio Fernando Abreu

3 comentários:

Thaís Nóbrega disse...

isso parecia uma oração que eu vinha repetindo mentalmente todosantodia que acordava sem ele, sem notícias dele.

até que resolvi deixar de ser planta carnívora e de ficar parada olhando pro muro, esperando elas crescerem.

beijo =*

Anônimo disse...

Ninguém vai ti esquece não camiluxa, eu digo isso por mim, eu ainda lembro de ti todo dia sua morça!

Beijinho. :)

Thu disse...

Fantastico! Amei o texto CAmi!