sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lembro com certo ressentimento, não me olhava. Aquela flor não se importava se eu a via molhada pelo orvalho, ou aberta exaltando beleza. Compreende amigo, era indiferença aos meus apelos. Tentei tanto, cultivei aquela terra, pois a que me pertencia vivia a muito esquecida, viver era apenas por ela, para o vermelho vivo. Nunca entendi como pode existir tanta beleza se igualando a desespero. Sim amigo, fiquei desesperado, me machucava com prazer em cada espinho, um modo de participar dela, mesmo que fosse participar de suas defesas, mesmo que significasse me perder. Se bem que nunca soube ao certo se naquele momento eu ainda existia.
Não a arrancaram-na da terra, partiu por vontade própria, com o vento. Não deu importância as lágrimas alheias, não digo as minhas, de outros, outros que eu não queria imaginar a face, as malícias, que a tocaram, que lhe acalentavam em dias de tempestade. Deus, quantos a tiveram? E por que de todos eu fui o único que ela não levou, não quis nem minha dor ou raiva?
Ás vezes passo pelo lugar aonde residia, sinto tanta falta. Orgulho ferido, acarreta em imaginação forte e a esperança de quem sabe no futuro, precisar de alguém e amigo, serei eu.



Camila Meneghetti

2 comentários:

Fezzoka Gomes disse...

Eu estou tão triste que estas palavras parecem dizer tudo o que sinto..


um beijo!

Thaís Nóbrega disse...

lembrei daquela história da menina que se arranhava constantemente.

triste...

=*